“A Península” Aquela extensão de terra que nós chamávamos de ilha, ainda que cercada de água por três faces, na represa de São Gonçalo/PB, é na realidade uma península; faz parte de um arrendamento que meu pai tinha há muitos anos e que hoje é de um de meus irmãos. A parte que, digamos assim, é ligada ao “continente” é cercada, e com porteira, e comunica com as terras de outro rendeiro, fato este que quando trazíamos o gado diariamente para o curral, tínhamos que transitar pelo arrendamento vizinho usando-nos de um acordo tácito que às vezes era questionado. A terra da península é elevada, comparado ao arrendamento principal, e no centro, como se fosse um mastro com uma bandeira, havia uma árvore frondosa que, se me lembro bem, era um juazeiro. Eu sentia, quando adolescente, grande encanto por aquela pequena extensão de terra e não atentava para o aspecto geográfico de ser uma ilha ou uma península. Havia plantações de milho, algodão e feijão, etc, no período das chuvas. As vacas leite...
Salada Paulista & Outros Eu ia com muita freqüência à Salada Paulista na Avenida Ipiranga e na Avenida São João. Nem preciso dizer onde estão localizadas estas duas famosíssimas avenidas, cantadas em músicas, versos e prosas, principalmente aos domingos. Eram restaurantes que serviam refeições em grandes e altos balcões, em forma de um "U"; eram práticos, rápidos, baratos, e lotados. Gostava muito da macarronada (espaguete) com frango, molho de tomate e queijo parmesão ralado; também da sopa, à noite depois do cinema. Outro restaurante do tipo da Salada Paulista era um que ficava na Av. Rio Branco, próximo do Largo do Paissandu, cujo nome não lembro, neste também havia vários tipos de pratos, mas o que eu mais gostava era o “Risoto à Catarina” (homenagem a florentina Regina Cathêrini di Médici): arroz(acho que não era arroz arbóreo, da receita original), peito de frango cozido, desfiado e cortado em pequenos pedaços, moela de frango cortada em quadradinhos, ervilha, ce...
“ Só os tolos estão sempre cheios de convicção, enquanto os sábios estão cheios de duvidas” disse Bertrand Russell. Amanheci pensando na citação acima, de um filósofo e matemático que gosto de ler. E fez-me lembrar também de um chefe que tive, negro, jornalista, já falecido: Sr. Hélio Conceição de Sá. No final dos anos sessenta, eu trabalhava em uma seção do departamento de propaganda e marketing de uma empresa conhecida no mercado brasileiro e externo que fabricava forros de tetos e divisórias, e o Sr. Hélio, como o tratávamos, era o gerente desse departamento. A seção a que me refiro, ficava em outro prédio, na mesma avenida, porque tinha amostras dos produtos, copiadora e máquina de impressão de folhetos comerciais. Usando essa impressora, imprimíamos também o “Nosso Jornal”, assinando como jornalista responsável, o Sr. Hélio; e nós contribuíamos com artigos e crônicas. Todos os dias, antes de ir para seu escritório, onde ficava a diretoria e os aci...
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