“A Península” Aquela extensão de terra que nós chamávamos de ilha, ainda que cercada de água por três faces, na represa de São Gonçalo/PB, é na realidade uma península; faz parte de um arrendamento que meu pai tinha há muitos anos e que hoje é de um de meus irmãos. A parte que, digamos assim, é ligada ao “continente” é cercada, e com porteira, e comunica com as terras de outro rendeiro, fato este que quando trazíamos o gado diariamente para o curral, tínhamos que transitar pelo arrendamento vizinho usando-nos de um acordo tácito que às vezes era questionado. A terra da península é elevada, comparado ao arrendamento principal, e no centro, como se fosse um mastro com uma bandeira, havia uma árvore frondosa que, se me lembro bem, era um juazeiro. Eu sentia, quando adolescente, grande encanto por aquela pequena extensão de terra e não atentava para o aspecto geográfico de ser uma ilha ou uma península. Havia plantações de milho, algodão e feijão, etc, no período das chuvas. As vacas leite...
“A Prévia” Era um bar em Manaus que tinha este nome porque reunia mais pessoas às quartas feiras. Como era um dia no meio da semana, diziam os freqüentadores que era uma prévia do fim de semana. Havia comentários que alguns freqüentadores iam lá no bar para discutirem e oporem-se a política de promoções, desligamentos e problemas salariais das empresas sediadas na Zona Franca. Diziam que faziam “panelinhas”. Tendo em vista que os cargos executivos eram ocupados por empregados transferidos, principalmente de São Paulo, conhecidos como “expatriados”. As cervejas servidas naquele bar eram muito boas, tais como as marcas Cerpa(do Pará) e a Cerma(do Maranhão). A Cerpa, em minha opinião, é a melhor; comercializada em meia garrafa como fazem a Heineken, Stella Artois, etc. Haviam também as marcas nacionais, e a melhor delas era a Antártica que dizem que era destilada com a água local. Serviam também os peixes da região: pirarucu, tambaqui, tucunaré, jaraqui, “et cetera”. O jaraqui era o mais...
“ Só os tolos estão sempre cheios de convicção, enquanto os sábios estão cheios de duvidas” disse Bertrand Russell. Amanheci pensando na citação acima, de um filósofo e matemático que gosto de ler. E fez-me lembrar também de um chefe que tive, negro, jornalista, já falecido: Sr. Hélio Conceição de Sá. No final dos anos sessenta, eu trabalhava em uma seção do departamento de propaganda e marketing de uma empresa conhecida no mercado brasileiro e externo que fabricava forros de tetos e divisórias, e o Sr. Hélio, como o tratávamos, era o gerente desse departamento. A seção a que me refiro, ficava em outro prédio, na mesma avenida, porque tinha amostras dos produtos, copiadora e máquina de impressão de folhetos comerciais. Usando essa impressora, imprimíamos também o “Nosso Jornal”, assinando como jornalista responsável, o Sr. Hélio; e nós contribuíamos com artigos e crônicas. Todos os dias, antes de ir para seu escritório, onde ficava a diretoria e os aci...
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