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A Orelha

A Orelha Não sabia que a orelha é tão importante, além do relevante fato de servir para captar e transmitir os sons para parte interna do ouvido , como se fosse um funil, e também de separar a cabeça! Aliás, Beethoven usava um tipo de funil para ouvir, quando fora acometido de surdez. Uma brincadeira chata que fazíamos quando criança, lá pelo sertão paraibano era "dar caçoleta", que consistia em surpreender um amigo, por trás e tacar-lhe o dedo na zoreia! Fiz muito e faziam comigo, era um dor danada. Estou com uma infecção na orelha direita. Fui parar no pronto socorro e depois em um dermatologista. Encheram-me de antibióticos, anti-inflamatórios pelas veias e por via oral. O médico me alertou: "toma cuidado com sua orelha, tome todos os remédios conforme prescrevi, porque é uma parte muito sensível do corpo; se necrosar a cartilagem, sua orelha ficaria como a orelha de um boxeador." Fiquei preocupado. Movido pela ansiedade, fui consultar o Dr. Google. Tudo e...

Dormi com uma barata morta

Dormi com uma barata morta Uma coisa que não suporto no verão é conviver com insetos, apesar de serem inevitáveis nessa estação do ano. Particularmente não gosto das baratas, aranhas e pernilongos (muriçocas). Dos três o pior é a barata, principalmente quando você a ver, vai buscar uma vassoura, um inseticida, e, quando você retorna ela sumiu; e você ia dormir. Tem que revirar tudo até encontrar a "mardita" e, mais importante, dar cabo dela. Além de tudo de ruim a barata é dotada de asas e as usa! E voa quase sempre em direção a sua testa! Outro dia estava vendo TV, com a porta da sala que dá para o quintal, aberta; para me refrescar do calor. Quando eu olho, vejo uma barata que vem rapidamente em minha direção, ela não tinha me visto, quando me viu deu meia volta e saiu na maior disparada. Fui buscar o inseticida, não a encontrei de imediato, olhando para o chão; de repente olhei de lado e ela estava na parede, dei uma xiringada de veneno nas costa dela, ela caiu da ...

Dona Maria do Carmo

Dona Maria do Carmo Dona Maria do Carmo era professora, morava na casa que fora habitada por Zuca Alcindo; a última casa daquela rua de Marizópolis, lado esquerdo de quem olha em direção a São Gonçalo. As ruas, àquela altura, não tinham nome, nem número. Aliás, um local que tinha nome era a Rua das Queimadas, não porque o poder público nomeou, mas porque o povo assim se acostumou a chamar aquele local. Ela veio de Sousa com a família: seu marido, Raimundo; seu pai , Sr. Emílio; e seus três filhos: Francisco, Breno e Marcos. Era da família Santiago, creio que de origem espanhola; e não dava para esconder a sua descendência européia porque estava estampada na face e nos olhos claros, deles todos. Ela era bonita, mais alta que a média, nariz adunco, e era uma mulher educada, porém de personalidade forte. Conheci também o irmão dela(creio que era Celso) que ficou em Sousa, o qual de vez em quando vinha a Marizópolis visitar a irmã. Ele participava de um bloco de carnaval de Sousa, e n...

Imposto de Renda Pessoa Física

Imposto de Renda Pessoa Física Logo mais começará a temporada de declaração do imposto de renda, uma prestação de contas anual para a Receita Federal. Como pouca gente faz planejamento tributário, ao longo do ano, começa a correria para justificar aumento patrimonial sem a contra-partida de ganhos obtidos; despesas médicas e dentárias sem recibo; transações de compra e venda de automóvel, ou de imóvel; ginástica para “justificar” a sogra como dependente, e assim vai. O dinheiro na cueca, acaba escorregando pelas pernas, haja vista que ainda tem gente que usa o modelo samba canção. Há pessoas que não querem complicações e delega ao contador a tarefa de elaborar o formulário, e ainda quer pagar pouco; mas, mesmo assim, não se livra de dar as explicações e apresentar mais documentos quando necessários. Antigamente, havia alguém na família que fazia as declarações; era o gênio da família que podia ser um estudante de contabilidade que não tinha experiência, mas era convencid...

“Seu Varte”

“ Seu Varte” O ano era 1967. Um ex-colega de classe do Colégio Comercial Riachuelo, convidara-me para dividir um quarto com ele, num apartamento em um prédio construído, aparentemente, nos anos quarenta e poucos. Era um prédio que tinha um único andar, acima do térreo, na Rua dos Italianos, esquina com a Rua Silva Pinto, no Bom Retiro, em São Paulo. Esse ex-colega, hoje médico e amigo, já morava lá. Os donos do apartamento, eram dois idosos(na época, velhos): seu Eduardo e dona Iná. A dona Iná tratava meu ex-colega, Walter, por “seu Varte”. Ela dava mais atenção a ele e o tratava como responsável por minha admissão como inquilino. Qualquer observação sobre meu comportamento e disciplina, era o “seu Varte” que me transmitia as mensagens dela. Por exemplo: ela me pegava no pé, “indiretamente”, sobre as descargas do vaso sanitário; achava que eu esquecia de acionar a descarga quando fazia xixi, ou então os cuidados que eu deveria ter com a válvula que regulava a temperatura do chuve...

Desejo de Ano Novo

Desejo de Ano Novo Arnaldo, fizera setenta anos em junho, casado há menos de quarenta com a mesma mulher, dona Margarete, mulher que muito ama, que é mais nova cinco anos que ele. Não fez promessas neste Ano Novo: não vai fazer regime para emagrecer e nem aquele curso on line que planejara ; tem apenas um desejo imaterial, intangível: rever Leonor, um antigo amor da adolescência; não quer ser exigente, poderia até mesmo ser em um sonho. Por que essa curiosidade, essa vontade forte de rever Leonor? Após esse tempo todo, após décadas, depois de filhos e netos feitos, é loucura; pode ser pelo entusiasmo do ano que finda e pelo raiar do outro, pelos novos tempos diferentes e bons que virão, como dizem os otimistas, ou então porque ficou alguma coisa por quitar com ela, alguma coisa não resolvida, algum mau entendido, como um desejo de uma alma penada. Mas é insistente, como o pensamento que vai e volta, esse desejo dele. Pode ser até que ele use um disfarce em uma esquina, para...

Empréstimo

Empréstimo Seu Alfredo, aposentado, estava lendo o jornal matinal, devia ser em torno das dez. O telefone fixo começou a tocar: uma, duas três vezes. Ele decidiu levantar-se, ainda de pijamas, na boca um gosto de café recém bebido. Percorreu o corredor até chegar ao escritório, local onde estava o aparelho instalado. Nesse espaço de tempo começou a imaginar quem estaria ligando: alguém da família; aquele tipo de ligação que fica-se repetindo alô e ninguém responde; ou então colocam alguém dizendo que é seu/sua filho/a, desesperado/a, dizendo, com uma voz incrivelmente parecida com a dele/a, que fora roubado/a, mas aí você percebe que não é verdade quando faz algumas perguntas sem respostas confiáveis. Em umas dessas ligações pediu para a sua mulher, em paralelo, pelo celular, ligar para o filho para confirmar; aí descobriu com alívio que o filho estava em casa às onze da noite. Quando chegou ao escritório, atendeu: “alô, alô,” ouviu uma voz distante; não estava ouvindo direito...