Sob sol causticante de meio dia um vendedor viajante, já cansado, suado e com sede, em algum lugar do sertão¹, arriou sua pesada mala: era um vendedor(às vezes um sírio libanês) de fitas, rosários, panos de prato, prendedores de cabelo(grampo ou birilo), alfinetes, colchetes, agulhas, novelos de linha para crochê, bicos rendados, etc. Parou em frente a casa de taipa, cuja parte superior da porta holandesa estava aberta, gritou e bateu palmas: “ô de casa”. Alguém respondeu lá dos fundos, talvez do quintal, pelo som que soara distante: “Ô de fora”. Ela, tímida disse: “boa tarde, se é que já é tarde, pela graça de Deus”. “Deus seja louvado", e, inclinando-se ligeiramente, o vendedor respondeu, tirando o chapéu de palha da cabeça. O vendedor abriu a mala, ofereceu suas mercadorias para a dona da casa, e pediu por favor um copo d'agua. (A dona da casa, que o viajante não sabia o nome, mas como era de costume, a chamou de dona Maria; caso fosse homem, o chamaria de seu José). Ela di...