Postagens

Sonho

Era uma pequena sala, com o jeito de um ambiente escolar; para dar crença a esta narrativa, aparecia uma professora do meu curso primário, do Grupo Escolar Dr. Silva Mariz. (Logo aquela escola que era tão simples e tão bonita, com salas arejadas, cheias de carteiras pretas, com bancos compartilhados, locais para canetas-tinteiros, local para colocar nossos livros, lousa ampla, onde sempre sobrava escrito em giz turma do dia anterior, ou vestígios de palavras e frases que, com um pouco de esforço, dava para subentendermos e desvendarmos os significados). Ela mostrava em uma estante uns livros muito bem encadernados, com lombadas verde-escuras, trabalho em capas duras. Aparentemente queria encomendar outras encadernações de outros livros. Naquele instante aparece o ex-presidente Obama, sem quê nem pra quê. Ele olha e pega um dos livros, elogia a encadernação, a lombada e diz que que é "um trabalho artístico, bonito e caro". E foi só isto, um sonho onde sempre cabe o impossível ...

Frank

“Frank” Oito horas da noite, estava vendo alguns assuntos na internet, quando faltou energia elétrica. Tive que desligar o computador para economizar a bateria. Decidi ir ao portão do jardim para apreciar o breu daquela noite. Uma vez ou outra passava um carro de faróis altos cuja claridade iluminava quase toda rua. Olhei para cima e vi muitas estrelas. Lembrei-me de minha avó quando dizia: “não aponte para as estrelas!” pode criar verruga na ponta dos dedos... E eu não entendia aquilo. “Verruga nos dedos!”, que horror! Dormia pensando nas estrelas e checando os dedos. Dois olhos redondos e amarelos apareceram, fixos, como se estivessem soltos no ar ou pintados em um quadro. Não dava para ver o corpo da criatura, só os olhos. Mas eu já desconfiava quem era. Só podia ser o gato preto do vizinho, preto que nem a noite escura. O nome dele é “Frank”, a princípio era Frankstein mesmo, mas simplificaram, afinal é um gato que apronta algumas, por repreender-lhe a toda hora precisava ter um no...

Gritos de prazer

Vi um filme, talvez um sonho ou mesmo um conto erótico, que um casal estava em uma festa bebendo, dançando e se beijando. Nessa excitação toda decidiu fazer amor no amplo jardim da casa. O cara falava para a mulher, devido a experiências anteriores, enquanto procuravam a melhor moita: "por favor não grite, controle-se." Tiraram as roupas um do outro e foram jogando de qualquer jeito na grama. Beijaram-se muito, esfregaram-se outros tantos, usaram todas as mãos, dedos e línguas. A princípio ela só gemeu, uns gemidos das amantes japonesas, misto de gemido e de choro, mas aí ela foi aumentando o volume dos gemidos, como fazem os gatos, à medida que se aproximava do clímax, até transformar em gritos, e as pessoas, ouvindo os berros de prazer, foram para as janelas, depois saíram da casa e fizeram um círculo em torno dos corpos nus, sonolentos, com os sexos sujos de gala, jogaram champagne, vinho, vodka, sobre os sexos deles........ e bateram palmas.

Acontece só comigo?

 Acontece só comigo? Entrei em uma óptica que sou cliente há muito tempo. A lente de meu óculos “de longe” estava riscada, devido a uma queda que sofri, limpando o jardim a qual causou um corte em meu supercílio. Um japonês foi quem me atendeu e eu perguntei se podia substituir a lente e eu esperar pelo conserto. Ele disse que sim, era rápido. Em quarenta minutos o serviço estava pronto. O japonês que é dono da loja não estava lá desta vez. O mesmo que certo dia, quando pedi para fazer uma limpeza e substituição de umas pecinhas(aquelas pecinhas móveis que ficam sobre o nariz) nos óculos me perguntou se eu comprara os óculos na loja, eu disse que não; ele falou para o empregado “então não faça o serviço, para ele aprender e comprar óculos sempre aqui”. Bom, eu disse pra ele que não estava pedindo favor, pagaria pelos serviços. Aí ele concordou e cobrou as peças; ok, sem problemas. O tipo de comerciante que não enxerga um palmo a frente do nariz. Eu dizia que hoje o japonês dono não...

O sujeito

O Sujeito A maior parte das crônica e contos que escrevo há parte delas verdadeiras e outras tantas invenções minhas; não de mentiras porque este é um termo meio pesado para justificar meus escritos, mas de criação. O descrito abaixo é de uma história a mim contada, portanto, acontecida. A vítima é "o sujeito." O sujeito tem a garagem de sua casa com portão e as guias da rua rebaixadas. Veio uma senhora para visitar o vizinho e estacionou seu carro exatamente em frente a sua garagem, impedindo-o de sair. O sujeito, furioso, não ia sair naquele momento, porém qualquer imprevisto poderia acontecer e seria impossível caso ele precisasse sair com o carro dele. Bom, o sujeito abriu o portão, manobrou o carro de ré e parou rente a porta do carro da visitante e aguardou-a voltar. Com pouco tempo ela voltou. Viu um carro encostado ao carro dela, olhou o sujeito, dono do carro que estava em pé, esperando-a. Aí ela pediu mil desculpas e ele não respondeu nada, nem...

Maximiliano

Maximiliano estacionou seu carro em frente a uma loja de roupas. Observava uma mulher enquanto bebia uma lata de cerveja gelada, comprada minutos depois de estacionar, em um supermercado. Aparentemente a mulher esperava o marido pois falava ao celular, gesticulava, como se dissesse: “estou lhe esperando aqui no estacionamento, não demore” e deve ter dado mais detalhes, pelos gestos mostrados e o tempo que falava; às vezes ria, às vezes franzia o cenho. A mulher foi melhor observada por ele, em detalhes, quando ele entrara no supermercado. Era alta, morena e bonita, muito feminina, “qualidade que aos poucos torna-se rara hoje em dia”, balbuciou baixinho entre os dentes alternando um gole e outro da cerveja. Ela perecia ter tido filhos porque seus quadris eram um pouco mais largos, o que para o Maximiliano era um "bonus", gostava de mulheres maduras. Ainda dentro do supermercado viu que ela o olhou discretamente por cima do ombro direito, enquanto lia o rótulo de um produto. El...

Lagartixa branca

  Lagartixa branca Por causa da pandemia, quando saiu de casa, pela primeira vez, J. Quarentena estava branco que parecia uma lagartixa, daquelas que moram atrás do espelho de banheiro, transparente, que dar para ver o intestino cheio de cadáveres de moscas, mosquitos e pernilongos. J. Quarentena abriu a porta, olhou para todos os lados, desconfiado, foi para rua, não havia uma viva alma àquela hora, como um cena desértica na Lua, em Marte ou mesmo em Chernobyl, depois do acidente com a usina nuclear. Mas aí apareceu um casal de idosos(e por que não velhos?), passando em sua frente, distante, com olhos arregalados, como se pedisse para J.Quarentena não se aproximar. "Não ouse em se aproximar "Cabra Velho", eu tenho um revolver, com todos os documentos do porte de armas." Disse o velho, e sua mulher concordando com um gesto repetido da cabeça. J. Quarentena respondeu: “não faça isso, não atire em mim, estou com os olhos vermelhos, mas não é covid-19 nem Covid-20, ou...