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Atônito

  Atônito Hoje o dia amanheceu nublado por aqui, e até uma chuvinha sem vontade veio.   Incrível como as estações mudam o comportamento dos pássaros, ou os pássaros mudam conforme as estações? No quintal temos uma casinha de passarinhos com novos inquilinos, devem ser filhos dos moradores do ano passado. Alí os gatos não os alcançam e eles cuidam dos filhotes tranqüilamente. Dá a impressão que eles falam para os filhotes que na Primavera do ano seguinte já tem essa casinha pra eles, e assim eles tocam a vida. Quase não se fala no volume de água nos reservatórios, só quando a coisa complica aí todos canais de TV apavoram todo mundo. Vejo alguns comportamentos de pessoas que usam água sem se preocuparem com nada, como se tivéssemos agua pra vida toda, que estamos num período que não chove. É costume, faz parte da cultura paulista, lavar as calçadas, carros, com mangueira, e aqui no condomínio acontece muito. Toda vez que vou caminhar vejo. Aí você comenta num desses grupos de mo...

Deixe pra amanhã que nós fazemos....

"Deixe pra amanhã que nós fazemos...."   Anísio era um ex-colega, chefe de um departamento de produção, disse o Abílio. Às sextas feiras após o expediente, íamos juntos com outros colegas, beber cerveja em um barzinho próximo a fábrica, onde havia música ao vivo e as meninas iam dançar. Depois de umas cervejas e conversas ele gostava de contar histórias e manipulava, preenchia quase todo tempo, não dando muita chance para nós outros. Uma dessas histórias era o que ele chamava de uma desculpa da mulher: “deixe pra amanhã que nós fazemos....”   -Você sabe que isso não vai acontecer, é como a promessa do mau pagador: amanhã eu lhe pago; no entanto, você fica um pouco emburrado, sai sem tomar o café da manhã, veste-se e vai trabalhar. Fica o dia todo com o sentimento de vazio, de que está faltando alguma coisa, e está. Você passa pela portaria e ver a Anita(nada a ver com a cantora) com aquele “derrière”, que lhe joga mais pra baixo ainda, porque aquilo ali parece ...

Caso espirre: saúde!

Caso espirre: saúde! Tive um professor de “Introdução a Ciência do Direito” que também lecionava “Direito Civil” para nós, do qual não lembro do nome(vou procurar no material que me restou, pois estou me reportando aos anos setenta); recordo que era muito competente e carismático, dava aula aos Sábados. Ele era meio bonachão, no bom sentido; alto e obeso de bigode fino, tipo dos usados por malandro carioca. Vestia terno e gravata mesmo aos Sábados. Ele pegava um livro do professor Amauri Mascaro Nascimento, e passeava pra lá e pra cá com o livro aberto, como fazem os bons pastores, segurando a Bíblia. Na realidade ele olhava para o livro porém não lia uma linha sequer, ao contrário dos pastores; era só um ponto de apoio, um espécie de amuleto. Enquanto falava, caso algum aluno espirrasse, e muitos espirravam, viu? Um atrás do outro, porque éramos muitos lotando aquele anfiteatro. No meio do discurso, pois ele era dado à tribuna, dizia “saúde” para quem espirrasse, e continuava a dis...

Nissei falante

Nissei falante Parte I Nissei, ortopedista, 86 anos, delicada nos gestos e no falar, magra, olhos miúdos e puxados, e o peso nas costas por descender de uma cultura milenar; talvez por isso o corpo tenha arqueado como uma casca de melancia. Fala com segurança, mostrando muita sabedoria. Ela disse, depois de levantar-se para me atender à porta: “entre e sente-se” e deu meia volta ao redor da mesa para sentar-se. Pegou minha ficha já previamente preenchida, com meus dados básicos, pela assistente, olhou e confirmou alguns dados. Aí ela olhou pra mim e perguntou: “o que o senhor tem?” Eu disse: “estou com problema no nervo ciático.” Ela disse: “sei o que é isto, porque ele também me perturba.” Pegou o estetoscópio e mediu minha pressão. “Está um pouco alta”, disse ela, “mas para sua idade, não tem tanto problema.” “Toma remédio pra pressão?” Eu disse que sim. “Qual?” Tirei do bolso parte da caixa do remédio, que sempre carrego no bolso e mostrei-lhe. Ela disse:”toma mais algum...

Por que às vezes eu acredito no sobrenatural

Por que às vezes eu acredito no sobrenatural Todos os dias, há muitos anos tomo dois remédios, um prescrito pelo cardiologista logo depois do café da manhã; outro, à noite quando vou dormir, receitado pelo urologista. Ontem à noite peguei uma das caixas, tirei o comprimido da embalagem e ele caiu e rolou pelo chão, procurei e não o encontrei mais. Já que não achei, parti para retirar outro comprimido da mesma embalagem. Nesse momento vi que a caixa era do comprimido que tomo de manhã, aí recoloquei o comprimido de volta(desculpe o pleonasmo) na caixa e peguei a embalagem do outro remédio, da pílula que realmente deveria tomar. Fiquei pensando: alguma coisa tomou-me a frente e não me deixou tomar aquele comprimido. Por isto acho que devemos prestar atenção aos sinais; pra mim aquilo foi um sinal. Alguém pode dizer que foi uma coincidência, que não existe essas coisas de sobrenaturais, foi apenas um erro meu, uma leseira minha. O pensamento é livre, inclusive o meu !  

Meia gota

“Meia gota.” Eu estava numa fila para fazer check-in no aeroporto de Guarulhos, era mais ou menos nove da noite de um Domingo. Era um voo que ia até o aeroporto do Texas, o Forth Worth, nos Estados Unidos e de lá faria uma conexão para São Francisco. Enquanto estava na fila verifiquei que havia uma atriz brasileira ilustre, muito famosa; famosa também pela arrogância. Era Beatriz Segall, a Odete Roitman da novela “Vale Tudo”. Olhei pra ela, ela olhou pra mim, sabia que eu estava reconhecendo-a e eu fiquei feliz e agradecido por ela ter olhado pra mim. Como as pessoas famosas exercem fascínio ou o antônimo sobre nós, não é? Pensei que ia vê-la sentada, na primeira classe ou na classe executiva, mas não; poderia ela estar na classe econômica, a classe que eu tinha uma poltrona reservada? Não sei, não a vi mais. Mas aí quando a gente ver um artista que gosta fica com aquilo na cabeça. Nesse processo lembrei-me de uma vez que ela era uma importante personagem em uma novela que não lembro-m...

Rodrigo Lins

Rodrigo Lins Hoje amanheci pensando em uma pessoa que nunca a vi mais gorda, apesar de gorda nas fotos. Quando o convidei para ser meu amigo no Facebook, ele me perguntou: “quem é o senhor?” Eu respondi: “sou seu primo, e fiz uma pergunta em cima da inquirição dele: “você não é neto de Miguelzinho e filho de Zeca?” Ele me respondeu “sim”, mostrando-se interessado. Como se dissesse: ah, ele conhece mesmo minha família! Eu ainda argumentara que conhecia a Patrícia, irmã dele, quando ela brincava com as meninas de Gerisval e creio que também brincava com os filhos de minha irmã Gilvaneide. Na época que fiz esse primeiro contato com Rodrigo ele morava em Ribeirão Pires (uma cidade fria e úmida, situada em cima da Serra do Mar, na Grande São Paulo), com o tio dele, Messias Lins, filho de Miguelzinho. Bom, de certa forma segui a trajetória de Rodrigo que se reinventara várias vezes e mudava de moradias constantemente, digo isto porque ele, depois de Ribeirão Pires, voltou pra Marizópolis e d...